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Trilha transversal

Os capítulos da vida de Alim

O diagnóstico chegou aos quase sessenta anos — e entra nesta lista perto do fim. Tudo o que vem antes aconteceu sem que houvesse nome para nada disso.

Anos 1960

Infância no interior da Bahia

Cresce numa época e num lugar em que a palavra "autismo" não circulava. O que hoje se nomeia, ali se explicava como temperamento, timidez ou preguiça.

Ler no e-book · Cap. 1
Aos 10 anos

A escola e a reprovação

A escola percebe que algo não acompanha o esperado, mas não tem com que nomear. A reprovação entra na história como fracasso pessoal.

Ler no e-book · Cap. 1
Adolescência

Corrida, violão, natação — e as máscaras

Encontra nos interesses intensos um lugar de competência, e aprende a imitar o jeito dos outros para caber. Camuflagem antes de existir a palavra.

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Aos 23 anos

A primeira namorada

Afeto não depende de diagnóstico, e a vida afetiva de Alim desmente a ideia de que pessoas autistas não se vinculam.

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Aos 26 anos

Casamento, e a separação antes dos três anos

A convivência cobra uma leitura social que ninguém nunca lhe ensinou — e que ele também não sabia que lhe custava mais.

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Vida adulta

Analista de sistemas

A atenção ao detalhe e a tolerância à repetição, que na escola pareciam defeito, no trabalho viram competência.

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Outubro de 2019

O consultório, perto dos 60 anos

Procura ajuda por outra razão. A avaliação reconstrói a história inteira e chega à identificação tardia de TEA nível 1 de suporte.

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A devolutiva

"Então eu não era preguiçoso?"

A frase que resume o valor de um diagnóstico tardio: não muda o passado, mas muda a leitura que a pessoa faz de si.

Ler no e-book · Cap. 5

Caso clínico com nome e detalhes alterados para preservar a identidade.